(imagem duma criança em primeiro plano com ar triste e compenetrado vestida de preto, com pessoas vestidas de preto atrás de si com guarda-chuvas abertos)
Olhou em frente, sabia que era a última vez que olhava para Guilherme, o seu melhor amigo desde sempre. Costumavam brincar na casa da avó dele, tardes inteiras, dias a fio.
E agora olhava, uma face inexpressiva, vazia. Olhou para baixo, respirou fundo e lembrou-se da última memória feliz de Guilherme nos minutos antes daquele acidente que lhe levara para sempre o melhor amigo. Falavam dos seus sonhos, falavam do curso que ambos iriam tirar. “Vamos dar uns óptimos médicos!”, dizia ele. Sonhavam com as namoradas que haviam de partilhar e as viagens que iriam fazer.
De repente, olhou para a frente, fixamente para o infinito e prometeu a si e a Guilherme que haveria de fazer tudo isso, por ele. E nos momentos de angústia, quando a falta de Guilherme o afligisse, agarrar-se-ia aos sonhos que ambos construíram para si. Mas nisto sentiu uma forte dor no coração e morreu também.
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