segunda-feira, 20 de julho de 2009

Exercício: “Façam um desenho à vossa vontade. 10 Minutos. Depois do desenho feito pediram-nos para escrever o que o desenho nos suscitava. 7 Minutos”

(desenho de cara feminina e masculina, flores, formas geométricas, nuvens, etc.)
São três da tarde, telefona-me a Inês… pergunta-me como estou mas acho que não ouviu realmente a minha resposta. Já sabia o que vinha dali… o mesmo de sempre. Mais uma vez o namorado tinha feito asneira. Sinceramente não entendo o que é que ela ainda está a fazer com aquele tipo, “A vida é tão curta Inês…” dizia-lhe eu. Mas ela já não ouvia, tão embrenhada nas suas conclusões e certezas mais do que absolutas que a noite lhe mostrou. Se calhar é melhor sentar-se, pensei eu… Agarrei numa caneta e comecei a rabiscar um papel qualquer que por ali andava. Ela ia falando, falando… E quando desligou, verifiquei a maravilhosa obra-prima que dali tinha saído. Credo, que confusão, pensei. Amachuquei o papel e deitei-o no lixo. Acho que o devia ter levado à Inês, talvez ela assim entendesse o pouco nexo daquilo que está a viver. Bem não interessa.

Passo seguinte: “Completem os desenhos uns dos outros. 5 Minutos. De seguida refaçam o vosso texto tendo como base as alterações que as outras pessoas fizeram no vosso desenho. Mais 5 minutos”

(desenho de cara feminina e masculina, flores, formas geométricas, nuvens, mais formas geométricas, um sol, uma casa, mais flores)
Uma semana depois telefona-me a Inês de novo… desta vez nem hesitei e sentei-me logo, apanhei a caneta que tinha à mão e comecei a escrevinhar o do costume. Mais do mesmo, pensei eu, ela só poderia me estar a contar o mesmo, pois juro que o desenho estava a sair exactamente igual ao da semana anterior… Mas continuei a ouvir com esperança que ela entendesse que já me havia dito tudo aquilo, que não adiantava mais bater na mesma tecla. Enfim desligou, com a promessa do: “Amiga, juro-te que agora é de vez”. Está bem Inês, respondi. Olhei para o meu desenho e vi o mesmo, talvez um pouco mais elaborado, afinal de contas desta vez tinha me sentado mais cedo, é um facto. Mas o sentido era o mesmo. Desta vez não o rasguei. Talvez ela assim entendesse. Guardei-o para lhe mostrar. Há pessoas que só mesmo fazendo um desenho…

Passo seguinte: “Façam uma lista de todos os substantivos do segundo texto e passem-nos para a pessoa ao vosso lado. À frente de cada substantivo de cada lista escrevam outro substantivo que vos lembre o anterior”

Semana – Dia – Noite – copos – bairro alto
Inês – Sara – porca – babe – porquinho
Novo – velho – feio – belo – David
Caneta – lápis – borracha – pneu – preto
Mão – pé – coxo – muleta – bengala
Desenho – sonho – causa – paz – guerra
Esperança – fé – “zada” – karma – tanga
Tecla – rato – queijo – torradas – manteiga
Promessa – esperança – horizonte – longínquo – aqui
Amiga – velha – feia – bolo-rei – engorda
Pessoas – idade – anos – 23 - beijos

Passo seguinte: “Escolham um dos substantivos associados pelas outras pessoas e substituam no texto pelos vossos”

Uns copos depois telefona-me a Sara de novo… desta vez nem hesitei e sentei-me logo, apanhei o lápis que tinha ao pé e comecei a escrevinhar o do costume. Mais do mesmo, pensei eu, ela só poderia me estar a contar o mesmo, pois juro que a guerra estava a sair exactamente igual á da noite anterior… Mas continuei a ouvir com fezada que ela entendesse que já me havia dito tudo aquilo, que não adiantava mais bater no mesmo queijo. Enfim desligou, com a promessa do: “Velha, juro-te que agora é de vez”. Está bem Sara, respondi. Olhei para a minha guerra e vi o mesmo, talvez um pouco mais elaborado, afinal de contas desta vez tinha me sentado mais cedo, é um facto. Mas o sentido era o mesmo. Desta vez não o rasguei. Talvez ela assim entendesse. Guardei-o para lhe mostrar. Há idades que só mesmo fazendo uma guerra…


Passo seguinte: “Façam uma lista de todos os verbos do segundo texto e passem-nos para a pessoa ao vosso lado. À frente de cada verbo de cada lista escrevam outro/a verbo/palavra que vos lembre o/a anterior”


Telefonar – atender – fugir – correr
Hesitar – decisivo – hoje – futuro
Sentar – levantar – voar – gaivota
Apanhar – comboio – linhar – apanhar
Ter – nada – nadar – afogar
Começar – aurora – boreal – acordar
Escrevinhar – desenhar – riscar – desenhar
Pensar – lúcido – classificar – esclarecer
Poder – dinheiro – euro-milhões – enriquecer
Estar – sentar – cair – levantar
Contar – estórias – era uma vez – felizes para sempre
Jurar – pés juntos – juntas – prometer
Sair – dançar – pisar – montar
Continuar – estrada – estratificar – dividir
Ouvir – escutar – ensurdecedor – gritar
Entender – tudo – encher – esvaziar
Haver – sozinho – solidão – romper
Bater – carícias – apalpar – abusar
Desligar – luz – levar – apagar
Responder – mal – fazer – desfazer
Olhar – triste – alegre – chorar
Ver – observar – contemplar – avistar
Rasgar – força – forçar – agarrar
Guardar – segredo – confiar – magoar
Mostrar – abrir – fechar – soltar
Fazer – amor – amar – apaixonar



Passo seguinte: “Escolham uma das palavras associadas pelas outras pessoas e substituam no texto pelas vossas (com as alterações já feitas anteriormente)”

Uns copos depois, atende-me a Sara de novo… desta vez nem foi decisivo e levantei-me logo, linhei o lápis que afoguei ao pé e acordei a riscar o do costume. Mais do mesmo, clarifiquei eu. Ela só me enriquecera por cair com os felizes para sempre, o mesmo, pois prometo que a guerra levantava a dançar exactamente igual ao da noite anterior. Mas decidi a escuta com fezada que ela esvaziasse já na solidão dita tudo aquilo, que não empobrecia mais a abusar no mesmo queijo.
Enfim ela apagou, com a esperança do “Velha, prometo, agora é de vez”. “Cai bem Sara”, desfiz. Chorei para a minha guerra e observei o mesmo, talvez um pouco mais elaborado, afinal de contas desta vez afogava-me sentada mais cedo, é um facto. Mas o sentido era o mesmo. Desta vez não forcei. Confiei para lhe abrir. Talvez ela assim esvaziasse. Há idades que só mesmo apanhando uma guerra.

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