Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, no9ve, dez, onze, doze, treze, catorze, quinze, dezasseis, dezassete…hum, se calhar é melhor não fazer isto até acabar o tempo…Amarelo, azul, vermelho, verde, lilás, roxo, púrpura, bordeaux, não me estou a lembrar de outras, nem me apetece sequer pensar. E agora escrevo mais o quê? Júpiter, Saturno, Úranos, Neptuno, Plutão…UPS! Plutão já não é! Até isso nos tiram das nossas memórias. Qualquer dia também dizem que o dezassete já não é um número ou que o bordeaux já não é uma cor! Pensando bem é uma cor com um nome estranho…hum, não sei se largo a caneta de continuo. Larguei para concertar a bota que me estava a incomodar. Pfff, que texto sem sentido, sem pensar, salta tudo cá de dentro como aquelas viagens de metro, em que entras em ti na primeira paragem e só despertas quando um velho amigo qualquer te interrompe esse pensamento tão profundo sobre o sexo dos anjos e diz: “Então? ‘tás aqui?”. E apetece-te responder:”Não, por acaso não estava…”. Mas ele ia ficar confuso e portanto limitas-te a responder: “Eu estou! E tu também, pelos vistos!”. Ele risse e continua a conversa de circunstância.
Passo seguinte:” Depois de ouvir os textos uns dos outros dêem uma continuação ao vosso. 3 Minutos”
Hmmm… pensando bem esta conversa de circunstância até começava a tornar-se interessante… cheguei a referir que esse amigo que me encontrou no metro e me interrompeu o pensamento era um antigo amor? Mas daqueles lá mesmo do princípio, daqueles em que as pessoas ainda não eram sequer o que são hoje, nem um bocadinho?
Ia ouvindo-o e transportou-me para outro sítio, desanuviou-me o espírito, fui-me embalando pelo que tinha feito nos últimos anos do meu desconhecimento… e quando menos esperei ele olhou de repente para o visor do metro: “7 rios! Tenho de ir” depois vemo-nos” disse ele. E eu só sorri, e disse-lhe adeus com os olhos. Podia ser que um dia ele me voltasse a adocicar o amargo despertar para a realidade.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Exercício:”Inspirando numa imagem escrever um texto em 10 minutos”
(imagem duma criança em primeiro plano com ar triste e compenetrado vestida de preto, com pessoas vestidas de preto atrás de si com guarda-chuvas abertos)
Olhou em frente, sabia que era a última vez que olhava para Guilherme, o seu melhor amigo desde sempre. Costumavam brincar na casa da avó dele, tardes inteiras, dias a fio.
E agora olhava, uma face inexpressiva, vazia. Olhou para baixo, respirou fundo e lembrou-se da última memória feliz de Guilherme nos minutos antes daquele acidente que lhe levara para sempre o melhor amigo. Falavam dos seus sonhos, falavam do curso que ambos iriam tirar. “Vamos dar uns óptimos médicos!”, dizia ele. Sonhavam com as namoradas que haviam de partilhar e as viagens que iriam fazer.
De repente, olhou para a frente, fixamente para o infinito e prometeu a si e a Guilherme que haveria de fazer tudo isso, por ele. E nos momentos de angústia, quando a falta de Guilherme o afligisse, agarrar-se-ia aos sonhos que ambos construíram para si. Mas nisto sentiu uma forte dor no coração e morreu também.
Olhou em frente, sabia que era a última vez que olhava para Guilherme, o seu melhor amigo desde sempre. Costumavam brincar na casa da avó dele, tardes inteiras, dias a fio.
E agora olhava, uma face inexpressiva, vazia. Olhou para baixo, respirou fundo e lembrou-se da última memória feliz de Guilherme nos minutos antes daquele acidente que lhe levara para sempre o melhor amigo. Falavam dos seus sonhos, falavam do curso que ambos iriam tirar. “Vamos dar uns óptimos médicos!”, dizia ele. Sonhavam com as namoradas que haviam de partilhar e as viagens que iriam fazer.
De repente, olhou para a frente, fixamente para o infinito e prometeu a si e a Guilherme que haveria de fazer tudo isso, por ele. E nos momentos de angústia, quando a falta de Guilherme o afligisse, agarrar-se-ia aos sonhos que ambos construíram para si. Mas nisto sentiu uma forte dor no coração e morreu também.
Exercício: “Estamos em tempo de guerra, e só existe um abrigo para 7 pessoas. Das seguintes quais escolherias para o abrigo e porquê.
Escreve uma declaração pública a comunicar a escolha.15 minutos”
Personagens:
1- Violinista, 40 anos, viciado em narcóticos
2- Advogado, 25 anos
3- Mulher do advogado, 24 anos, acabada de sair do manicómio
4- Sacerdote, 75 anos
5- Prostituta, 34 anos
6- Ateu, 20 anos, autor de vários homicídios
7- Cigano, 40 anos, contrabandista e traficante
8- Universitária, fez voto de castidade
9- Físico, 28 anos, possui uma arma
10- Declamador fanático, 21 anos
11- Modelos negra, 28 anos, claustrofóbica
12- Menina, 12 anos, baixo Q.I
13- Homossexual, 47 anos
14- Débil mental, 32 anos, com ataques epiléticos
Caros todos,
Infelizmente, não podemos ficar todos, portanto o meu critério teve de ser bastante frio e racional. O primeiro escolhido será:
O advogado. É novo, tem uma profissão útil para a sociedade e também me parece íntegro. Poderá ser uma mais valia dentro do abrigo assim como depois da guerra.
Por sua vez, a sua mulher, também nova, a quem foi dada uma segunda oportunidade de se encontrar. Procriem.
Ficará também o homossexual, que apesar de não ser novo teve uma vida honesta.
Em tempo de pânico surge por vezes a fé, por isso o sacerdote também foi escolhido. É sempre uma fonte de sabedoria e serenidade.
Não poderia deixar de escolher a menina, que apesar de não ser muito inteligente é alguém a quem não poderia privar de também conhecer o mundo. Afinal de contas também o que seria das pessoas inteligentes se não houvesse outras para contrabalançar?
Outra jovem a ficar é a universitária, pois também não a vou privar de um dia aprender o que são os prazeres da carne.
Por fim, alguém jovem, que apesar de declamador fanático poderá ajudar a unir este grupo com os seus pregões.
Para trás ficam aqueles que já viveram o suficiente para mostrar que não merecem a vida cá em cima, sim vocês: cigano, violinista e ateu, ou que têm alguma fraqueza impossível de conciliar com tudo o que se irá viver neste abrigo, desculpem lá modelo claustrofóbica e débil mental.
E tu, físico, até estavas na lista, mas depois contei melhor e reparei que estavas a mais! Desculpa lá mas sempre podes usar a tua arma cá fora para te defenderes!
Passo seguinte: “Agora troquem uma pessoa que fica com outra que sai. 5 Minutos para escrever a declaração”
Tive a pensar no assunto…
E senhor sacerdote, lamento mas não poderá ficar… fica talvez para uma próxima. Afinal de contas já viveu uma longa vida, terá de dar uma nova oportunidade a outra pessoa. Senhor violinista, traga o seu violino e venha dar um pouco de harmonia a este momento, espero que o tempo que passar no abrigo o faça reflectir e desfazer-se desse seu mal parado vício, afinal a vida não nos dá uma segunda oportunidade muitas vezes… As resto, boa sorte!
Personagens:
1- Violinista, 40 anos, viciado em narcóticos
2- Advogado, 25 anos
3- Mulher do advogado, 24 anos, acabada de sair do manicómio
4- Sacerdote, 75 anos
5- Prostituta, 34 anos
6- Ateu, 20 anos, autor de vários homicídios
7- Cigano, 40 anos, contrabandista e traficante
8- Universitária, fez voto de castidade
9- Físico, 28 anos, possui uma arma
10- Declamador fanático, 21 anos
11- Modelos negra, 28 anos, claustrofóbica
12- Menina, 12 anos, baixo Q.I
13- Homossexual, 47 anos
14- Débil mental, 32 anos, com ataques epiléticos
Caros todos,
Infelizmente, não podemos ficar todos, portanto o meu critério teve de ser bastante frio e racional. O primeiro escolhido será:
O advogado. É novo, tem uma profissão útil para a sociedade e também me parece íntegro. Poderá ser uma mais valia dentro do abrigo assim como depois da guerra.
Por sua vez, a sua mulher, também nova, a quem foi dada uma segunda oportunidade de se encontrar. Procriem.
Ficará também o homossexual, que apesar de não ser novo teve uma vida honesta.
Em tempo de pânico surge por vezes a fé, por isso o sacerdote também foi escolhido. É sempre uma fonte de sabedoria e serenidade.
Não poderia deixar de escolher a menina, que apesar de não ser muito inteligente é alguém a quem não poderia privar de também conhecer o mundo. Afinal de contas também o que seria das pessoas inteligentes se não houvesse outras para contrabalançar?
Outra jovem a ficar é a universitária, pois também não a vou privar de um dia aprender o que são os prazeres da carne.
Por fim, alguém jovem, que apesar de declamador fanático poderá ajudar a unir este grupo com os seus pregões.
Para trás ficam aqueles que já viveram o suficiente para mostrar que não merecem a vida cá em cima, sim vocês: cigano, violinista e ateu, ou que têm alguma fraqueza impossível de conciliar com tudo o que se irá viver neste abrigo, desculpem lá modelo claustrofóbica e débil mental.
E tu, físico, até estavas na lista, mas depois contei melhor e reparei que estavas a mais! Desculpa lá mas sempre podes usar a tua arma cá fora para te defenderes!
Passo seguinte: “Agora troquem uma pessoa que fica com outra que sai. 5 Minutos para escrever a declaração”
Tive a pensar no assunto…
E senhor sacerdote, lamento mas não poderá ficar… fica talvez para uma próxima. Afinal de contas já viveu uma longa vida, terá de dar uma nova oportunidade a outra pessoa. Senhor violinista, traga o seu violino e venha dar um pouco de harmonia a este momento, espero que o tempo que passar no abrigo o faça reflectir e desfazer-se desse seu mal parado vício, afinal a vida não nos dá uma segunda oportunidade muitas vezes… As resto, boa sorte!
Exercício: “Qual o primeiro animal, instrumento musical e prato/bebida que se lembram? Façam um texto em que unam os três conceitos. 2 Minutos”
(Borboleta, piano, sushi)
Depois de renascer, experimentou o primeiro bater de asas, sentiu o ar elevado contra si e foi flutuando através do desconhecido. Era como estar naqueles recitais de piano que os nossos avós nos obrigavam a ouvir, mas que na altura não sabíamos entender. E agora já conseguia ouvir-lhe o sentido. Por detrás daquela capa escura, estava, afinal, algo puro por nascer.
Passo seguinte: “Agora façam o mesmo texto com os conceitos que a pessoa que está ao vosso lado escolheu. 2 Minutos”
(Gaivota, flauta, água)
E ela voou, nuvem após nuvem, apreciando o sabor do céu, apesar das suas asas cansadas, não interessava. A liberdade era o seu único objectivo. Nenhuma música poderia lhe soar melhor que o próprio som das suas asas, lembrava-lhe um som desigual de uma flauta que os artistas de rua usam. A sua liberdade era também a da água, tão ligada ao céu quanto a si.
Depois de renascer, experimentou o primeiro bater de asas, sentiu o ar elevado contra si e foi flutuando através do desconhecido. Era como estar naqueles recitais de piano que os nossos avós nos obrigavam a ouvir, mas que na altura não sabíamos entender. E agora já conseguia ouvir-lhe o sentido. Por detrás daquela capa escura, estava, afinal, algo puro por nascer.
Passo seguinte: “Agora façam o mesmo texto com os conceitos que a pessoa que está ao vosso lado escolheu. 2 Minutos”
(Gaivota, flauta, água)
E ela voou, nuvem após nuvem, apreciando o sabor do céu, apesar das suas asas cansadas, não interessava. A liberdade era o seu único objectivo. Nenhuma música poderia lhe soar melhor que o próprio som das suas asas, lembrava-lhe um som desigual de uma flauta que os artistas de rua usam. A sua liberdade era também a da água, tão ligada ao céu quanto a si.
Exercício: “Façam um desenho à vossa vontade. 10 Minutos. Depois do desenho feito pediram-nos para escrever o que o desenho nos suscitava. 7 Minutos”
(desenho de cara feminina e masculina, flores, formas geométricas, nuvens, etc.)
São três da tarde, telefona-me a Inês… pergunta-me como estou mas acho que não ouviu realmente a minha resposta. Já sabia o que vinha dali… o mesmo de sempre. Mais uma vez o namorado tinha feito asneira. Sinceramente não entendo o que é que ela ainda está a fazer com aquele tipo, “A vida é tão curta Inês…” dizia-lhe eu. Mas ela já não ouvia, tão embrenhada nas suas conclusões e certezas mais do que absolutas que a noite lhe mostrou. Se calhar é melhor sentar-se, pensei eu… Agarrei numa caneta e comecei a rabiscar um papel qualquer que por ali andava. Ela ia falando, falando… E quando desligou, verifiquei a maravilhosa obra-prima que dali tinha saído. Credo, que confusão, pensei. Amachuquei o papel e deitei-o no lixo. Acho que o devia ter levado à Inês, talvez ela assim entendesse o pouco nexo daquilo que está a viver. Bem não interessa.
Passo seguinte: “Completem os desenhos uns dos outros. 5 Minutos. De seguida refaçam o vosso texto tendo como base as alterações que as outras pessoas fizeram no vosso desenho. Mais 5 minutos”
(desenho de cara feminina e masculina, flores, formas geométricas, nuvens, mais formas geométricas, um sol, uma casa, mais flores)
Uma semana depois telefona-me a Inês de novo… desta vez nem hesitei e sentei-me logo, apanhei a caneta que tinha à mão e comecei a escrevinhar o do costume. Mais do mesmo, pensei eu, ela só poderia me estar a contar o mesmo, pois juro que o desenho estava a sair exactamente igual ao da semana anterior… Mas continuei a ouvir com esperança que ela entendesse que já me havia dito tudo aquilo, que não adiantava mais bater na mesma tecla. Enfim desligou, com a promessa do: “Amiga, juro-te que agora é de vez”. Está bem Inês, respondi. Olhei para o meu desenho e vi o mesmo, talvez um pouco mais elaborado, afinal de contas desta vez tinha me sentado mais cedo, é um facto. Mas o sentido era o mesmo. Desta vez não o rasguei. Talvez ela assim entendesse. Guardei-o para lhe mostrar. Há pessoas que só mesmo fazendo um desenho…
Passo seguinte: “Façam uma lista de todos os substantivos do segundo texto e passem-nos para a pessoa ao vosso lado. À frente de cada substantivo de cada lista escrevam outro substantivo que vos lembre o anterior”
Semana – Dia – Noite – copos – bairro alto
Inês – Sara – porca – babe – porquinho
Novo – velho – feio – belo – David
Caneta – lápis – borracha – pneu – preto
Mão – pé – coxo – muleta – bengala
Desenho – sonho – causa – paz – guerra
Esperança – fé – “zada” – karma – tanga
Tecla – rato – queijo – torradas – manteiga
Promessa – esperança – horizonte – longínquo – aqui
Amiga – velha – feia – bolo-rei – engorda
Pessoas – idade – anos – 23 - beijos
Passo seguinte: “Escolham um dos substantivos associados pelas outras pessoas e substituam no texto pelos vossos”
Uns copos depois telefona-me a Sara de novo… desta vez nem hesitei e sentei-me logo, apanhei o lápis que tinha ao pé e comecei a escrevinhar o do costume. Mais do mesmo, pensei eu, ela só poderia me estar a contar o mesmo, pois juro que a guerra estava a sair exactamente igual á da noite anterior… Mas continuei a ouvir com fezada que ela entendesse que já me havia dito tudo aquilo, que não adiantava mais bater no mesmo queijo. Enfim desligou, com a promessa do: “Velha, juro-te que agora é de vez”. Está bem Sara, respondi. Olhei para a minha guerra e vi o mesmo, talvez um pouco mais elaborado, afinal de contas desta vez tinha me sentado mais cedo, é um facto. Mas o sentido era o mesmo. Desta vez não o rasguei. Talvez ela assim entendesse. Guardei-o para lhe mostrar. Há idades que só mesmo fazendo uma guerra…
Passo seguinte: “Façam uma lista de todos os verbos do segundo texto e passem-nos para a pessoa ao vosso lado. À frente de cada verbo de cada lista escrevam outro/a verbo/palavra que vos lembre o/a anterior”
Telefonar – atender – fugir – correr
Hesitar – decisivo – hoje – futuro
Sentar – levantar – voar – gaivota
Apanhar – comboio – linhar – apanhar
Ter – nada – nadar – afogar
Começar – aurora – boreal – acordar
Escrevinhar – desenhar – riscar – desenhar
Pensar – lúcido – classificar – esclarecer
Poder – dinheiro – euro-milhões – enriquecer
Estar – sentar – cair – levantar
Contar – estórias – era uma vez – felizes para sempre
Jurar – pés juntos – juntas – prometer
Sair – dançar – pisar – montar
Continuar – estrada – estratificar – dividir
Ouvir – escutar – ensurdecedor – gritar
Entender – tudo – encher – esvaziar
Haver – sozinho – solidão – romper
Bater – carícias – apalpar – abusar
Desligar – luz – levar – apagar
Responder – mal – fazer – desfazer
Olhar – triste – alegre – chorar
Ver – observar – contemplar – avistar
Rasgar – força – forçar – agarrar
Guardar – segredo – confiar – magoar
Mostrar – abrir – fechar – soltar
Fazer – amor – amar – apaixonar
Passo seguinte: “Escolham uma das palavras associadas pelas outras pessoas e substituam no texto pelas vossas (com as alterações já feitas anteriormente)”
Uns copos depois, atende-me a Sara de novo… desta vez nem foi decisivo e levantei-me logo, linhei o lápis que afoguei ao pé e acordei a riscar o do costume. Mais do mesmo, clarifiquei eu. Ela só me enriquecera por cair com os felizes para sempre, o mesmo, pois prometo que a guerra levantava a dançar exactamente igual ao da noite anterior. Mas decidi a escuta com fezada que ela esvaziasse já na solidão dita tudo aquilo, que não empobrecia mais a abusar no mesmo queijo.
Enfim ela apagou, com a esperança do “Velha, prometo, agora é de vez”. “Cai bem Sara”, desfiz. Chorei para a minha guerra e observei o mesmo, talvez um pouco mais elaborado, afinal de contas desta vez afogava-me sentada mais cedo, é um facto. Mas o sentido era o mesmo. Desta vez não forcei. Confiei para lhe abrir. Talvez ela assim esvaziasse. Há idades que só mesmo apanhando uma guerra.
São três da tarde, telefona-me a Inês… pergunta-me como estou mas acho que não ouviu realmente a minha resposta. Já sabia o que vinha dali… o mesmo de sempre. Mais uma vez o namorado tinha feito asneira. Sinceramente não entendo o que é que ela ainda está a fazer com aquele tipo, “A vida é tão curta Inês…” dizia-lhe eu. Mas ela já não ouvia, tão embrenhada nas suas conclusões e certezas mais do que absolutas que a noite lhe mostrou. Se calhar é melhor sentar-se, pensei eu… Agarrei numa caneta e comecei a rabiscar um papel qualquer que por ali andava. Ela ia falando, falando… E quando desligou, verifiquei a maravilhosa obra-prima que dali tinha saído. Credo, que confusão, pensei. Amachuquei o papel e deitei-o no lixo. Acho que o devia ter levado à Inês, talvez ela assim entendesse o pouco nexo daquilo que está a viver. Bem não interessa.
Passo seguinte: “Completem os desenhos uns dos outros. 5 Minutos. De seguida refaçam o vosso texto tendo como base as alterações que as outras pessoas fizeram no vosso desenho. Mais 5 minutos”
(desenho de cara feminina e masculina, flores, formas geométricas, nuvens, mais formas geométricas, um sol, uma casa, mais flores)
Uma semana depois telefona-me a Inês de novo… desta vez nem hesitei e sentei-me logo, apanhei a caneta que tinha à mão e comecei a escrevinhar o do costume. Mais do mesmo, pensei eu, ela só poderia me estar a contar o mesmo, pois juro que o desenho estava a sair exactamente igual ao da semana anterior… Mas continuei a ouvir com esperança que ela entendesse que já me havia dito tudo aquilo, que não adiantava mais bater na mesma tecla. Enfim desligou, com a promessa do: “Amiga, juro-te que agora é de vez”. Está bem Inês, respondi. Olhei para o meu desenho e vi o mesmo, talvez um pouco mais elaborado, afinal de contas desta vez tinha me sentado mais cedo, é um facto. Mas o sentido era o mesmo. Desta vez não o rasguei. Talvez ela assim entendesse. Guardei-o para lhe mostrar. Há pessoas que só mesmo fazendo um desenho…
Passo seguinte: “Façam uma lista de todos os substantivos do segundo texto e passem-nos para a pessoa ao vosso lado. À frente de cada substantivo de cada lista escrevam outro substantivo que vos lembre o anterior”
Semana – Dia – Noite – copos – bairro alto
Inês – Sara – porca – babe – porquinho
Novo – velho – feio – belo – David
Caneta – lápis – borracha – pneu – preto
Mão – pé – coxo – muleta – bengala
Desenho – sonho – causa – paz – guerra
Esperança – fé – “zada” – karma – tanga
Tecla – rato – queijo – torradas – manteiga
Promessa – esperança – horizonte – longínquo – aqui
Amiga – velha – feia – bolo-rei – engorda
Pessoas – idade – anos – 23 - beijos
Passo seguinte: “Escolham um dos substantivos associados pelas outras pessoas e substituam no texto pelos vossos”
Uns copos depois telefona-me a Sara de novo… desta vez nem hesitei e sentei-me logo, apanhei o lápis que tinha ao pé e comecei a escrevinhar o do costume. Mais do mesmo, pensei eu, ela só poderia me estar a contar o mesmo, pois juro que a guerra estava a sair exactamente igual á da noite anterior… Mas continuei a ouvir com fezada que ela entendesse que já me havia dito tudo aquilo, que não adiantava mais bater no mesmo queijo. Enfim desligou, com a promessa do: “Velha, juro-te que agora é de vez”. Está bem Sara, respondi. Olhei para a minha guerra e vi o mesmo, talvez um pouco mais elaborado, afinal de contas desta vez tinha me sentado mais cedo, é um facto. Mas o sentido era o mesmo. Desta vez não o rasguei. Talvez ela assim entendesse. Guardei-o para lhe mostrar. Há idades que só mesmo fazendo uma guerra…
Passo seguinte: “Façam uma lista de todos os verbos do segundo texto e passem-nos para a pessoa ao vosso lado. À frente de cada verbo de cada lista escrevam outro/a verbo/palavra que vos lembre o/a anterior”
Telefonar – atender – fugir – correr
Hesitar – decisivo – hoje – futuro
Sentar – levantar – voar – gaivota
Apanhar – comboio – linhar – apanhar
Ter – nada – nadar – afogar
Começar – aurora – boreal – acordar
Escrevinhar – desenhar – riscar – desenhar
Pensar – lúcido – classificar – esclarecer
Poder – dinheiro – euro-milhões – enriquecer
Estar – sentar – cair – levantar
Contar – estórias – era uma vez – felizes para sempre
Jurar – pés juntos – juntas – prometer
Sair – dançar – pisar – montar
Continuar – estrada – estratificar – dividir
Ouvir – escutar – ensurdecedor – gritar
Entender – tudo – encher – esvaziar
Haver – sozinho – solidão – romper
Bater – carícias – apalpar – abusar
Desligar – luz – levar – apagar
Responder – mal – fazer – desfazer
Olhar – triste – alegre – chorar
Ver – observar – contemplar – avistar
Rasgar – força – forçar – agarrar
Guardar – segredo – confiar – magoar
Mostrar – abrir – fechar – soltar
Fazer – amor – amar – apaixonar
Passo seguinte: “Escolham uma das palavras associadas pelas outras pessoas e substituam no texto pelas vossas (com as alterações já feitas anteriormente)”
Uns copos depois, atende-me a Sara de novo… desta vez nem foi decisivo e levantei-me logo, linhei o lápis que afoguei ao pé e acordei a riscar o do costume. Mais do mesmo, clarifiquei eu. Ela só me enriquecera por cair com os felizes para sempre, o mesmo, pois prometo que a guerra levantava a dançar exactamente igual ao da noite anterior. Mas decidi a escuta com fezada que ela esvaziasse já na solidão dita tudo aquilo, que não empobrecia mais a abusar no mesmo queijo.
Enfim ela apagou, com a esperança do “Velha, prometo, agora é de vez”. “Cai bem Sara”, desfiz. Chorei para a minha guerra e observei o mesmo, talvez um pouco mais elaborado, afinal de contas desta vez afogava-me sentada mais cedo, é um facto. Mas o sentido era o mesmo. Desta vez não forcei. Confiei para lhe abrir. Talvez ela assim esvaziasse. Há idades que só mesmo apanhando uma guerra.
Exercício: “Continuem a história do seguinte texto. 5 Minutos”
Saí de casa com o bolso cheio e enfim me dirijo para os correios, pode ser que desta vez não ganhe.
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